Tretas Online

Julgar e criticar são seguramente os verbos mais utilizados na web dos dias atuais. E olha que não me refiro à polarização política sem fim que a nação tupiniquim está mergulhada. Parece que os conflitos de ideias e ideais ultrapassaram as fronteiras digitais da política e invadiram o cotidiano da população. São as chamadas tretas online!

Ontem eu estava navegando pelo Youtube para ter uma ideia de quais filmes serão lançados nos próximos meses. Faço isso, inclusive, com uma certa frequência. O Youtube, assim como o Wikipedia, é uma ferramenta que me agrada muito porque uma vez imerso, você não sabe onde vai chegar. Aquela coluna lateral com sugestões de vídeos com mais ou menos a mesma temática do vídeo que você está vendo é um abismo sem fim! Você vai clicando, clicando e clicando e sempre tem algo interessante para ver.

Pois bem, foi numa dessas clicadas que me deparei com o vídeo do Thiago Fonseca do Canal Boom – Um canal de pegadinhas bem interessante e bastante popular na web. O rapaz, ao que me pareceu, fez um desabafo aberto na rede. Ele chamava a atenção para o excesso de críticas dos que se intitulam “Digital Influencers” direcionadas à artistas e até aos próprios colegas de profissão, apenas para ganhar popularidade. No caso em questão, ele reclamava especificamente do Luccas Neto – outro Youtuber bem famoso – que teria zombado do Canal Boom de forma gratuita em um de seus vídeos.

A mensagem que o Thiago passou é bem interessante e pertinente. Chegou a ser curtida, inclusive, pelo fenômeno Whinderson Nunes. Confesso que não vi o que Luccas Neto disse, pois não é o tipo de conteúdo que me agrada. Mas essa percepção de que a crítica, o ódio, a briga ou a “treta” – como dizem os jovens de hoje em dia – tem estado mais presente do que o normal nas relações interpessoais é algo que realmente tem me incomodado. E pela primeira vez eu vi alguém relevante do cenário pop atual tocando no assunto sem ser por causa de um roteiro pré-determinado.

É preciso realmente refletir sobre isso. Até mesmo em uma briga de rua, sempre tem aquela turma do “deixa disso”, que no simples fato de separar os brigões fazem todos refletirem sobre o que está acontecendo no momento. Mas e na “treta” online? Quem faz isso? Pois além da briguinha dos Youtubers, além daqueles que mantém um canal só para criticar o próximo, tem também os haters da internet. Que são aqueles internautas que só fazem criticar nos comentários das páginas. Seja uma matéria jornalística, seja um post em uma rede social. O papel do hater é destilar o ódio.

É bem verdade que muitos se aproveitam do anonimato para isso. Mas podemos perceber que é uma onda que cresce ao invés de cessar quando nos deparamos com a criação de uma rede social feita para… Criticar! Isso mesmo. A febre do momento é o App saudita Sarahah. Que em árabe significa “honestidade”. Como a pode a inexperiente sociedade digital – claro, pois essas atitudes são coisas de adolescentes e crianças em sua maioria – está tão doente e mal orientada que um aplicativo no qual você pode dirigir suas críticas anonimamente se torna viral? Que necessidade é essa que desenvolvemos de julgar o próximo? Por que a grama do vizinho incomoda tanto? Será que não existe mais nada atrativo para se fazer?

Lhes confesso que eu prefiro, sinceramente, o garoto que passa horas jogando videogame do que o que passa o mesmo tempo navegando online ou em redes sociais, por exemplo. Não tenho dúvidas de que é preciso fomentar o exercício mental dos nossos jovens. Tudo bem que não podemos exigir que tenham uma vida de brincadeiras ao céu aberto como em nossa infância. É preciso aceitar que os tempos são outros. Mas sem dúvida esse tempo pode ser utilizado de forma bem mais proveitosa. Ah, isso pode.

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