Uma crítica aos críticos

Diretor Martin Scorsese

Crítica é algo que deveria ser feito por pessoas com conhecimento técnico e intelectual. O ideal, inclusive, era que fossem pessoas notórias acerca do tema. Por exemplo, já pensou se Spielberg, Coppola e Scorsese fossem críticos? Quem se oporia às suas opiniões? A verdade é que existe um bando de gente que acredita que assistir cinema e Netflix lhe dá gabarito para ser crítico. Não, não dá. É uma mera opinião; crítica é outra coisa.

Ontem o aclamado diretor de Taxi Driver e Os infiltrados bradou alto contra as críticas retumbantes ao filme Mãe!, do diretor Darren Aronofsky, nos famosos sites Rotten Tomatoes e Cinemascore. Scorsese credita a classificação “F” do filme no último, ao desejo inflamado de algumas audiências em prejudicar um filme simplesmente pelo fato de ele não conter uma narrativa simplista e padrão.

“Depois que tive a oportunidade de assistir ‘Mãe!’, eu fiquei ainda mais horrorizado por essa pressa em fazer julgamentos. As pessoas parecem estar atrás de sangue, simplesmente porque não pôde ser facilmente definido ou interpretado ou reduzido para uma descrição de duas palavras. É um filme de terror ou uma comédia sombria ou uma alegoria bíblica ou uma fábula admonitória sobre moral e a devastação do meio ambiente? Talvez um pouco de tudo isso, mas certamente não apenas uma dessas nítidas categorias.”

Afirmou o diretor ítalo-americano que ainda enalteceu o trabalho de Darren Aronofsky:

“Apenas um cineasta realmente apaixonado poderia ter feito este filme, cujo o qual eu ainda estou experienciando mesmo após semanas desde que o assisti”.

E sobre o popular portal Rotten Tomatoes, Scorsese foi ainda mais incisivo:

“Rotten Tomatoes não tem nada a ver com o verdadeiro trabalho de crítica. Eles avaliam um filme do mesmo jeito que você avalia um cavalo na pista de corrida ou um restaurante no guia Zagat ou um eletrodoméstico no Consumers Report. Eles têm tudo a ver com o ramo dos cinemas e absolutamente nada a ver com a criação ou a perspectiva inteligente de assistir um filme.”

Pois bem, meus amigos. Eu achei magnífica a explanação do cineasta. Como aventureiro na arte da escrita sobre a cultura pop, gosto de ler opiniões dos ditos “críticos” e me surpreendo – tal qual Scorsese – com certos pontos de vista questionáveis. Já era hora de um grande nome levantar esta bandeira.

Apesar de ainda não ter assistido ao filme de Aronofsky, sem dúvida o verei com outros olhos após a opinião de alguém realmente conceituado para tal. E se você também não viu, confira o trailer abaixo.

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